História

Miranda do Douro, sede do concelho, está situada num espigão que domina a pique a margem direita do rio Douro, no troço internacional que separa a província Portuguesa de Trás-os-Montes da província espanhola de Castilla y León.

A Vila de Miranda surgiu com o Rei D. Dinis que existia sobre as arribas do Douro e era banhado pelos rios Douro e Fresno.

É aquando do Tratado de Alcanices – celebrado entre D. Dinis, rei de Portugal, e Fernando IV, de Leão e Castela, que temos de fazer a leitura histórica da fundação da Vila de Miranda em 18 de Dezembro de 1286, elevando-a à categoria de vila e aumentando-lhe os privilégios antigos. Um dos privilégios deste foral era Miranda nunca sair da coroa.

A partir desta altura, Miranda torna-se progressivamente na mais importante das vilas cercadas de Trás-os-Montes.

Em 10 de Julho de 1545, D. João III eleva Miranda do Douro à categoria de cidade, passando a ser a primeira diocese de Trás-os-Montes (por bula do Papa Paulo III de 22 de Maio de 1545) que amputava a arquidiocese de Braga da maior parte do território transmontano.

Assim, Miranda ficou a ser a capital de Trás-os-Montes, sede do bispado, residência do bispo, cónegos e mais autoridades eclesiásticas bem como, militares e civis.

Em 1762, no contexto da Guerra dos sete anos, o exército de Eduardo III invade Trás-os-Montes. O Paiol, com cerca de 500 barris de pólvora, foi atingido por um tiro de canhão, fazendo ir pelos ares as quatro torres do castelo e os bairros periféricos. Aproximadamente um terço da população da cidade – cerca de 400 pessoas – pereceram perante esta catástrofe, levando assim à ruína religiosa, demográfica e urbana de Miranda.

Quase dois anos depois, em 1764 D. Frei Aleixo Miranda Henriques (23º bispo) abandona Miranda, trocando-a por Bragança, que passava a ser outra sede episcopal definitiva e única a partir de 1680.

Duzentos anos depois, graças à construção das barragens de Picote e Miranda, o concelho assumiu-se como uma região em franco desenvolvimento e a cidade, mercê da perfeita harmonia entre o passado e o presente é, hoje, um verdadeiro museu vivo. A cidade vive de numerosos comércios (têxteis, calçado e ourivesaria) destinados aos vizinhos espanhóis, que atravessam a fronteira para fazer as suas compras.

Por isso, o concelho de Miranda do Douro é detentor de um vasto, diversificado e valioso património cultural e arquitectónico espalhado pelas suas freguesias, que continuam a preservar e divulgar parte da sua cultura por meio das suas peças manufacturadas como as Colchas feitas nos teares tradicionais, os tecidos de Saragoça e Buréis, os Bordados, Gaitas de Foles, Flautas, Castanholas e Rocas.

Podemos dizer que Miranda do Douro é um Concelho que vale a pena descobrir

Língua Mirandesa

Quem cruzar as ruas de Miranda do Douro, na expectativa de ouvir falar mirandês, poderá não o encontrar com muita facilidade. Com efeito, há cerca de quatro séculos que esta língua terá deixado de se falar na cidade, tornada episcopal em 1545 e alguns antes elevada a sede de comarca, sofrendo, por isso, um forte crescimento económico e demográfico, o que terá contribuído decisivamente para a substituição do mirandês pelo português. Assim, o mirandês viu-se acantonado nos pequenos centros, sendo aí que mais se pode ouvir esta língua, filha do latim e moldada pelas gerações que há muitos séculos habitam o extremo sul do vasto território onde se falou o asturo-leonês. Por outro lado, os seus falantes, cujo número rigoroso é difícil de determinar, sempre se habituaram a falar “grave” (nome dado ao português) na presença de forasteiros, reservando o mirandês para situações mais intimistas.

Mas o mirandês está a regressar serenamente à cidade. Trazido pelos habitantes das aldeias que vão abandonando os pequenos centros rurais e utilizado, ainda que ao abrigo dos sobranceiros ouvidos citadinos, em situações comunicativas diversas. Por outro lado, é a cidade que agora se orgulha de ostentar a toponímia em mirandês, colocando igualmente painéis informativos, diante dos seus monumentos mais emblemáticos, na língua que é também sua.

 

O falar mirandês cresceu com a Terra de Miranda, herdeira das antigas divisões administrativas leonesas. Contudo, nas entranhas dos seus castros, dispostos sobranceiramente sobre as escarpas do Douro, há vestígios arqueológicos, históricos e, naturalmente, linguísticos, de outros povos pré-romanos que habitaram a região. Lavradores, boieiros e pastores calcorrearam as arribas do Douro deixando na toponímia, nas expressões telúricas e metafóricas com que baptizaram as terras e as entranhas das fragas, as marcas indeléveis da sua passagem. Topónimos como Ourrieta, que significa concha de terra arável na montanha; Mamolas e Marmolinas, do megalítico; Castro e Castralhouço, da cultura dos castros; Canhada e Cardeinhas, nomes proto-históricos; Fraga de Proba Moços e Faia la Moça, que nos lembram antigas histórias e ritos; Rodielha e Carril Mourisco, nomes de antigas estradas romanas; assim como outras raízes ou elementos lexicais, atestam e confirmam os traços históricos dos povos que aqui viveram e mourejaram.

Esta civilização agro-pastoril, com fortes marcas comunitárias, tem-se mantido até quase aos nossos dias. E nem as falésias do Douro representaram um obstáculo intransponível para as gerações de trabalhadores, contrabandistas e aventureiros que calcorrearam as fronteiras rumo ao nascente, prolongando os laços seculares que nos unem às vizinhas regiões de Saiago e de Aliste.

 

O mirandês viveu, durante séculos, no seu estado natural, a fala. Embora as primeiras formas escritas se encontrem em documentos datados do século XII, só em finais do século XIX, pelas mãos de José Leite de Vasconcelos, a língua mirandesa viu a primeira tentativa de a fixar por escrito. No século XX encontramos muitos nomes que, à luz do filólogo, procuraram dar continuidade a esse trabalho de fixação do mirandês. Assinalem-se, sem pretensões de exaustão, os trabalhos de tradução realizados pelo Abade Manuel Sardinha, pelo Padre Francisco Meirinhos, assim como Bernardo Fernandes Monteiro. Para além destes, há que referir os nomes de autores e contadores mirandeses ou da região, como Bazílio Rodrigues, Francisco Rodrigues Brandão, Francisco Reis Domingues, Trindade Coelho que no teatro, na poesia, nas crónicas, foram dando forma a muitos textos que hoje fazem parte do património escrito da língua mirandesa.

 

O mirandês interessou também muitos investigadores portugueses e estrangeiros. Na continuidade do já referido Leite de Vasconcelos cuja obra, Estudos de Filologia Mirandesa, publicada em dois volumes em 1900 e 1901, continua a ser uma referência para o estudo desta língua, há que referir outros nomes como Menéndez Pidal, Herculano de Carvalho, Leif SletsjØe, assim como Erik Staaff, cujos trabalhos são fundamentais para quem pretenda iniciar uma investigação sobre este idioma. Mas o século XX assistiu, sobretudo, ao trabalho extraordinário do vulto maior da língua e cultura mirandesas: António Maria Mourinho. Nas suas múltiplas facetas, de historiador, antropólogo e linguista, este investigador deu corpo a um vasto património – que hoje faz parte do Centro de Estudos com o seu nome, sedeado na Biblioteca Municipal – onde se procura estudar e dar continuidade ao seu trabalho em prol da língua e da cultura mirandesas.

 

Para o último quartel do século XX, estavam reservadas as mudanças mais importantes na história da língua mirandesa. Entre outras, assinalamos a introdução no ensino (desde o ano lectivo 1987/88); a elaboração de uma norma escrita (a Convenção Ortográfica foi publicada em 1999); o reconhecimento político (através da Lei 7/99, de 29 de Janeiro, sem esquecer o Despacho Normativo n.º 35/99, de 5 de Julho de 1999 que regulamenta o direito à aprendizagem do mirandês); e os estudos científicos sobre a língua, quer em pequenos artigos quer nas teses universitárias que se têm produzido (nomeadamente na Universidade do Minho, Coimbra, Toulouse – Le Mirail e Salamanca), e a edição do Pequeno Vocabulário Mirandês – Português da autoria do Padre Moisés Pires. Estes factores terão contribuído, cada um à sua maneira, para a emergência de um renovado interesse pela língua e pela cultura mirandesas, cujas faces mais visíveis são também o nascimento de uma literatura em mirandês, a colocação de toponímia em quase todas as localidades linguisticamente mirandesas, o aparecimento em diversos órgãos de comunicação social, assim como de um prolífico conjunto de textos de dimensão realmente inusitada.

 

O mirandês interessa, em primeiro lugar, aos seus falantes, nomeadamente pelo valor simbólico de afirmação identitária, sendo inegável que a prática de uma língua local favorece também o desenvolvimento intelectual e a abertura para outras culturas. Por isso, o domínio da língua mirandesa tem ainda mais importância se considerarmos que a mesma constitui uma chave de acesso ao património comum das culturas que se exprimem através das línguas românicas, assim como o conhecimento destas culturas permite enriquecer a aprendizagem e o domínio da língua mirandesa. Importa assim reconhecer a língua e a cultura mirandesa não como um obstáculo à circulação da informação e das ideias, mas antes afirmar as vantagens que ela traz na abertura a uma dimensão regional da modernidade.

 

Assim, se o futuro da língua mirandesa depende, em primeiro lugar, dos seus falantes, a sua continuidade está também relacionada com a existência de instituições e meios de transmissão como a escola e outras instituições. Apesar das transformações sociais concorrerem para a situação de precariedade em que se encontra a língua mirandesa, a realidade mostra-nos que esta ainda mantém a sua vitalidade, para a qual tem igualmente contribuído a política cultural da autarquia, nomeadamente no apoio à edição de variadíssimas obras em mirandês.

Professor Doutor António Bárbolo Alves

Cidades Geminadas

CIDADES GEMINADAS

ARANDA DEL DUERO

Cidade alegre e laboriosa,  situa-se a menos de uma hora de Burgos e Valladolid e muito perto de Soria. Possui o encanto de uma pequena cidade de 30.000 habitantes, sem a pressão e os inconvenientes das grandes urbes.

Capital da comarca da ribeira do Douro, Aranda converte-se assim no PONTO DE ENCONTRO perfeito para que se possa viajar através do tempo, saboreando o prazer de um património excepcional, rodeado de uma paisagem ondulada e sugestiva de vinhas e bodegas. O Douro atravessa Aranda, percorre-a, banha-a, inunda-a com as suas águas de mutantes reflexos e divide-a em duas, a daqui, o “Aquendeduero”, e a dali, o “Allendeduero”. A presença do rio dá sentido à cidade. Foi a causa primordial de seu nascimento e foi o argumento principal da sua história. Por isso é tão importante a ponte sobre o rio Douro em Aranda. As suas pedras enlaçam a cidade salvando o leito do rio e os seus arcos aproximam bairros, cidades, territórios, vontades. Por ele cruzaram soldados, colonos, mercadores, rebanhos de ovelhas, transeuntes famintos e cansados. Uma eventualidade que não lhe passou despercebida ao poeta Rafael Alberti, que cantou à ponte e suas varandas- no seu poema a amante”. Pela ponte de Aranda, diz também a canção popular que se atirou o “tio Juanillo”; atirou-se, mas não se matou.

BIMENES

Bimenes é um concelho formado por um vale montanhoso, que apresenta um relevo muito particular, o que lhe dá uma paisagem bela em contrastes, sem perder a sua essência rural.

Este território com grandes atractivos naturais, encontra-se rodeado de montanhas, sendo as mais conhecidas a “Faya de los Lobos” e Peñamayor.

A autarquia de Bimenes foi pioneira no reconhecimento da Língua Asturiana no seu território e foi a primeira a declarar a cooficialidade do Bable em Julho de 1997.

Martimporra, é a capital do Concelho, sendo Rozazes, Taballes, San Júlian, Suares e Melendreros alguns dos seus núcleos mais interessantes.

Bimenes participa na “Comarca de la Sidra” juntamente com as autarquias de Nava, Cabranes, Sariego, Colunga e Villaviciosa.

Diocese

Paulo III e D. João III  elevaram Miranda do Douro à categoria de cidade e Diocese, a 22 de Maio de 1545.
O Pontífice Paulo III, na Bula <<Pro excellenti apostolicae>>, deu-lhe a categoria de cidade, ao mesmo tempo que à modestíssima Igreja de Santa Maria dava as honras de Catedral ficando a pertencer ao padroado do Rei de Portugal e dos Algarves.
El-Rei continuou, como em todas as Dioceses do Reino, com o direito de apresentar os Bispos de Miranda, e estes ficaram na dependência espiritual do arcebispo de Braga, nos casos prescritos pelo direito, como metropolitano e primaz das Espanhas. (Arq. Sec. do Vaticano, Cong. Concilli, 1629).

 

 

D. TURÍBIO LOPES, 1.º BISPO DE MIRANDA

A 16 de Fevereiro de 1545, escreveu D. João III ao Pontífice Paulo III nomeando D. Turíbio Lopes para Bispo de Miranda.
Da grande aceitação em que o Rei de Portugal tinha o Bispo eleito de Miranda, e dos bons fundamentos que a tornavam bem merecida, dão claro testemunho as expressões de rasgado elogio com que, a 4 de Novembro de 1545, lhe concedeu brasão de armas, e, a 18 do mesmo mês, o galardoou com a carta de conselho.

O CABIDO DE MIRANDA DO DOURO

Na Bula <<Pro excellenti apostolicae>>, Paulo III decreta a fundação do Cabido da Diocese de Miranda do Douro.
Criado o Cabido do Bispado de Miranda do Douro, Paulo III, a 31 de Maio de 1545, mandou-lhe o Breve «Cum nos nuper», no qual ordena aos cónegos e vassalos da Igreja, ao clero e ao povo da cidade e diocese que atendam o bispo como pai e pastor das suas almas e recebam e cumpram os seus mandamentos, lhe prestem os seus serviços e lhe observem os direitos, e em tempo não superior a 6 meses.

A CATEDRAL DE MIRANDA DO DOURO

«A Sé de Miranda, diz Sousa Viterbo, é um monumento interessantíssimo para a história da arquitectura em Portugal, pois nele se observa já o estilo do renascimento italiano, destituído de toda a influência do chamado estilo manuelino».
No dia 16 de Maio de 1552, começaram a abrir-se os alicerces, celebrando, primeiro, Missa cantada do Espírito Santo o Cónego e tesoureiro-mor Jorge Ferreira.
EI-Rei quis que se desse por empreitada a Pedro de Ia Faia por meio de contrato, visto por ele, e ordenou que fossem pela fábrica pagos os gastos da jornada.

SEMINÁRIO DE S. JOSÉ DE MIRANDA

A 4 de Agosto de 1607, D. Diogo de Sousa disse, num relatório à Sagrada Congregação do Concílio, no tempo de Paulo V, que erigira em Miranda um seminário, segundo as normas do Concílio Tridentino, e lhe destinara anualmente a quantia de 1500 ducados, em moeda portuguesa, extraídos de todos os rendimentos eclesiásticos da diocese.

OS TRINITÁRIOS

À data da criação da diocese de Miranda do Douro, existiam apenas no seu território o Convento Franciscano de Bragança e o mosteiro beneditino de Castro de Avelãs.
Tinham existido, muito antes, dois hospícios: um dentro da cidadela, atrás da Igreja de Santa Maria, pertencente ao mosteiro da Ordem de S. Bernardo, e outro na Rua das Moreirinhas, pertencente também ao mosteiro de S. Bernardo, de Santa Maria da Moreirola, da província de Zamora.
Dos Trinitários de Miranda falaram os bispos com elogios nos seus relatórios à Sagrada Congregação do Concílio. Não foi só o bispo de Miranda, D. Frei João da Cruz, que intercedeu pela permanência dos Trinitários em Miranda e Mirandela; foram também o cabido e a Câmara de Miranda, em cartas de 13 de Setembro da 1752, que são autênticas glorificações.

CONVENTO DE  BALSAMÃO

 

A ermida de Balsamão existia desde tempos imemoriais. Atribue-se à Ordem de Malta a sua construção sobre as ruínas duma mesquita ou da primeira capelinha. Ali se abrigava uma confraria geral de 100 irmãos eclesiásticos que tinha o nome de confraria de Santa Maria de Balsamão.
Cinco sacerdotes e 12 leigos, foi o número com que se iniciou a congregação de Nossa Senhora de Balsamão.
Frei Casimiro de S. José deixou de existir, a 25 de Outubro de 1755, sendo sepultado na capela-rnor, do lado da epistola, junto do altar de S. José.

 

MISSIONÁRIOS APOSTÓLICOS DE VINHAIS

 

Foi o Venerável Frei António das Chagas, religioso franciscano, quem fundou o convento do Varatojo dos rnissionários apostólicos, destinados a missões pelo país.
A licença para a fundação do seminário de Vinhais deu-a El-Rei D. João V a 7 de Janeiro de 1740, a pedido do oficiais da Câmara e moradores de Vinhais, comarca de Miranda e província de Trás-os-Montes.
Tinham argumentado com o facto de não haver conventos religiosos a servir as vilas de Vinhais e Paçó, com mais de 40 povoações.
Em 1717, vieram de Espanha dois missionários fazer missão na província de Trás-os-Montes, e, por isso, em Vinhais. Agradando-se muito do sítio, Frei João Velasquez tratou com a Câmara, nobreza e povo de Vinhais para erigir um hospício de missionários.

A TRANSFERÊNCIA DA DIOCESE

Fazer de Miranda a sede da nova diocese, desmembrada do arcebispado de Braga, foi um disparate geográfico que tinha de ser remediado. Miranda era a povoação mais remota e de mínima população, que, para lhe dar a sede da diocese, foi  preciso que Paulo III e D. João III a elevassern à categoria de cidade.
No governo do bispo, Dom Frei Francisco Pereira (ano de 1620), considerando que em Bragança tinha a diocese a maior parte das suas rendas, que Bragança era o centro da diocese, e que era crueldade obrigar os diocesanos a incómodos e despesas para irem a Miranda, dei passos para a sua transferência.
A catástrofe de 8 de Maio de 1762 veio a ser a causa próxima de um desejo remoto.
Miranda sofreu então, as consequências da sua geografia. Na fronteira com a Espanha, estava em perigo contínuo. A sua função era defensiva e ofensiva. Num ambiente bélico não ficava bem uma catedral de paz.
Depois Bragança tinha um auditório eclesiástico, com vigário geral e juiz dos casamentos. Tudo isto levaria os bispos a juntar, aos votos do povo, os seus desejos episcopais.
A 17 de Novembro de 1764, recebeu Dom Frei Aleixo a carta régia que o autorizou à transferência para Bragança.
O cabido funcionou, pela primeira vez, na Igreja de S. Vicente, no dia 20 de Fevereiro de 1765.

 

A CATEDRAL DE BRAGANÇA

 

EI-Rei Dom José I, por cartas régias dirigidas ao bispo Dom Frei Aleixo de Miranda Henriques, ao Juiz, vereadores e procuradores da Câmara de Bragança, fez doação do Colégio e Igreja que tinham sido dos Padres da Companhia de Jesus, vagos para a coroa por causa da sua expulsão, aos prelados de Miranda, para, na igreja, estabelecerem a catedral.

D. Frei Aleixo recebeu de El-Rei, por determinação da Secretaria de Estado, ordem de começar a nova igreja, que o bispo sonhou grandiosa e digna de uma grande catedral. Seria um templo majestoso, paralelo à actual catedral, com a frente para as Eiras, hoje Praça Camões, cujos alicerces da capela-mor se puderam admirar, até que se fizeram as obras da actual Escola Preparatória de Bragança.

As obras pararam no tempo do bispo Dom Bernardo.

 

SEMINÁRIO DE BRAGANÇA

Transferida a Sé para Bragança, o seminário veio com ela. Na igreja dos jesuítas, a catedral, e no colégio, o seminário, cujas aulas se abriram, pela primeira vez, com a frequência de 10 alunos, no dia 13 de Janeiro de 1766.

Em Março de 1770, tinha 12 alunos. Mas quando o Bispo Dom Bernardo Pinto Ribeiro Seixas tomou posse da diocese, não tinha um seminarista!

CRIAÇÃO DA DIOCESE DE BRAGANÇA

 

A 5 de Março de 1770, Dom José pediu ao Papa Clemente XIV a divisão do bispado de Miranda em dois bispados: Miranda e Bragança.
O Sumo Pontífice concedeu a excepção de fazer a divisão da diocese, pelo Breve «Pastoris aeterni» de 10 de Julho de 1770, a não por uma Bula, consoante o costumado, donde se pode concluir quão grande era o desejo de agradar à corte de Lisboa.
A sede do novo bispado era, evidentemente, a cidade de Bragança
O Breve Pontifício criou também o cabido com dignidade, canonicatos e capelanias.
Ao futuro cabido concedeu o Breve «Pastoris aeterni» a faculdade de fazer e publicar os Estatutos que fossem necessários e oportunos.
No Breve «Pastoris aeterni», como na carta de Dom José I, diz-se que Miranda ficaria pertencendo às duas dioceses de Miranda e Bragança. Este engano evidentíssimo foi rectificado pelo Conde de Oeiras na carta de aviso mandada a 6 de Setembro de 1770 ao executor apostólico.

DOM MANUEL DE VASCONCELOS PEREIRA, 24.º BISPO DE MIRANDA

Desmembrada de Miranda a diocese de Bragança, ficou a diocese de Miranda com o território muito reduzido.
No consistório secreto de 6 de Agosto de 1770, o Papa Clemente XIV preconizou bispo de Miranda Dom Manuel de Vasconcelos Pereira.
Chegadas as Bulas a Lisboa, foi sagrado bispo na real capela de Nossa Senhora da Ajuda, no dia 29 de Outubro, e só fez a sua entrada solene em Miranda do Douro no ano seguinte, a 18 de Novembro de 1771.
O bispo continuava em Lisboa à espera que a tropa desocupasse o palácio episcopal, porque este, desde que Dom Frei Aleixo de Miranda Henriques o abandonou, passou a ser moradia de soldados.
A 8 de Março de 1773, no consistório secreto, Clemente XIV desligou-o do vínculo que o prendia a Miranda e transferiu-o para Lamego.

 

DOM MIGUEL BARRETO DE MENESES, 1.º BISPO DE BRAGANÇA

 

Dom Miguel António Barreto de Meneses, fidalgo da casa real e licenciado em cânones, recebeu em Braga a  ordem de presbítero.
A 23 d2 Março de 1770, no palácio do Cardeal Patriarca, fez-se a inquirição do estado da diocese de Bragança.
A posse foi tomada a 22 de Fevereiro de 1772.
Chegou a Bragança depois de 15 de Setembro e antes de 28 de Outubro, porque, neste dia, fez visita pastoral a Rio Frio.
A 27 de Março de 1773, assinava-se bispo de Bragança e eleito de Miranda, sinal evidentíssimo que havia sido antes nomeado bispo de Miranda por El-Rei Dom José.

 

DOM MIGUEL BARRETO DE MENESES 25.º BISPO DE MIRANDA

 

Dali a um mês e um dia, a 12 de Julho de 1773, o Papa desligou Dom Miguel do vínculo que o prendia à diocese de Bragança, elegeu-o bispo de Miranda do Douro e mandou passar a Bula «Cunctis ubíque».
A 16 de Fevereiro de 1774, foi a entrada solene em Miranda, diocese que tinha 116 paróquias.
Dom Miguel foi tomar conta duma catedral magnífica, mas sem cabido nem alfaias; de um belo palácio, mas só com 10 alunos no seminário; de uma cidade de boa gente, mas só com 300 casas; de uma diocese organizada, mas quase sem renda.
Pouco tempo esteve Dom Miguel à frente da sua diocese, pois a 1 de Setembro de 1775, nomeou, para governar na sua ausência, o doutor provisor Francisco Vaz da Quina e vigário geral o doutor Manuel Leonardo Lopo.

 

DOM HERNARDO PINTO RIBEIRO SEIXAS, 2.º BISPO DE BRAGANÇA

 

Porque fora promovido para a diocese de Miranda do Douro Dom Miguel Barreto de Meneses o Santo Padre elegeu bispo de Bragança Dom Bernardo Pinto Seixas, no consistório secreto de 12 de Julho de 1773.

 

FUSÃO DAS DIOCESES DE BRAGANÇA E MIRANDA

 

Os moradores de Miranda pediram à Rainha D. Maria I o regresso da Sé e apresentaram as seguintes razões: 1.ª – Miranda, sem cabido e sem bispo, despovoa-se; 2.ª – Não havia dinheiro para se fazer uma catedral em Bragança; 3.ª – A catedral de Miranda, templo magnífico, arruinava-se; 4.ª – Os encargos locais deviam ser cumpridos na igreja de Miranda.
Em face disto, o Núncio instaurou o processo e mandou-o, em 15 de Maio de 1780, ao Cardeal Palavicini, apresentando-se para bispo das duas dioceses unidas o bispo de Bragança, «pessoa muito
digna e capaz de reger também a dita diocese de Miranda».
A Bula da fusão das duas dioceses de Miranda e Bragança, que se chamou «Romanus Pontifex», tem a data de 27 de Setembro de 1780.

 

DOM BERNARDO PINTO RIBEIRO SEIXAS, 1.º BISPO DE BRAGANÇA E MIRANDA

O bispo de Bragança, Dom Bernardo, tomou posse da diocese de Miranda no dia 12 de Junho de 1781.

Com a idade de 75 anos, no dia 9 de Setembro de 1792 morreu Dom Bernardo, sendo sepultado na capela-mor da catedral de Bragança.

 

RECOLHIMENTOS DAS OBLATAS DO MENINO JESUS

 

O bispo de Bragança, Dom António Luís, tinha duas tias religiosas. Cuidou, por isso mesmo, de fundar um Recolhimento das Oblatas do Menino Jesus, que foi solenemente inaugurado a 1 de Novembro de 1793. A sua primeira superiora foi Maria de Jesus Manuela.

Os recolhimentos dedicavam-se à educação de donzelas pobres, órfãs e desamparadas, pertencentes ao povo.

 

DOM ABÍLIO AUGUSTO VAZ DAS NEVES, 15.º  BISPO DE BRAGANÇA E MIRANDA

Depois da resignação de Dom Luís António de Almeida, reuniu-se o cabido de Bragança, a 11 de Novembro de 1935, para eleger o vigário capitular. Feito o escrutínio, saiu eleito, depois dum voto de desempate do presidente, o Dr. Fernandes.
A 8 de Dezembro de 1938, o Santo Padre Pio XI transferiu da diocese de Cochim para Bragança e Miranda Dom Abílio Augusto Vaz das Neves, nascido em Ifanes, Miranda do Douro, a 8 de Junho de 1894.
A 30 de Março de 1939, foi a entrada solene na diocese de D. Abílio Augusto Vaz das Neves, e todos se lembram que foi singularmente brilhante. Era um bispo da nossa terra que vinha para junto dos seus.

 

DOM MANUEL DE JESUS PEREIRA 16.º BISPO DE BRAGANÇA E MIRANDA

A 20 de Fevereiro de 1965 a Nunciatura Apostólica distribuiu um comunicado, anunciando a nomeação de D. Manuel de Jesus Pereira para Bispo de Bragança e Miranda.
Em 2 de Maio tomou posse da diocese de Bragança por procuração.
Em 4 de Maio a diocese de Coimbra, com todo o clero, prestou grandes homenagens de despedida ao senhor D. Manuel de Jesus Pereira.
Em 9 do mesmo mês, entra triunfalmente na sua diocese de Bragança.
Às 2 da madrugada do dia 11 de Setembro, terminou a sua peregrinação terrena, na Clínica de Montes Claros, em Coimbra.

DOM ANTÓNIO RAFAEL
17.º BISPO DE BRAGANÇA E
42.º DA LISTA DOS BISPOS DE MIRANDA E DE BRAGANÇA

O Santo Padre nomeou, a 6 de Dezembro de 1976, D. António José Rafael para Bispo Auxiliar de Bragança.
A 13 de Fevereiro de 1977, foi a sua Sagração Episcopal na Sé de Lamego.
A 19 de Março de 1977, D. António dava entrada solene na Diocese.
A 14 de Setembro, com a morte de D. Manuel, era eleito pelo Cabido, Vigário Capitular, ficando provisoriamente à frente da Diocese.
A 1 de Março de 1979, é tornada pública a notícia de que Sua Santidade João Paulo II o havia nomeado Bispo Residencial de Bragança e Miranda.